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Home Estudos Bíblicos DISCÍPULOS 2 O Homem e o Pecado




O Homem e o Pecado PDF Imprimir E-mail
Escrito por Administrator   
Dom, 19 de Abril de 2009 20:29

 

O HOMEM E O PECADO

 

A Criação e o Homem

 

“Então formou o Senhor Deus ao homem do pó da terra... E a costela que o Senhor Deus tomara ao homem, transformou-a numa mulher”. (Gn. 2:7,22).


 

A criação

 

“No princípio Deus criou os céus e a terra” (Gn 1:1). Com estas palavras a Bíblia Sagrada inicia o relato da criação e da história da humanidade. Tudo começou com Deus. Ele é o autor e o planejador da vida. Por ordem, suas obras foram:

 

ü      1º Dia – Luz (separou o dia da noite);

ü      2º Dia – O céu;

ü      3º Dia – A terra (porção seca), os mares, os rios e a flora;

ü      4º Dia – O sol, a lua e as estrelas;

ü      5º Dia – Os animais marinhos e as aves;

ü      6º Dia – Os outros animais e o homem;

ü      No sétimo dia Deus descansou, pois sua obra criadora terminara, e “eis que tudo era muito bom” (Gn 1:31).

 

Não é difícil notar que o homem foi posto na terra como a coroa da criação, alguém que deveria cuidar de tudo o que foi criado. Diferente, porém, de tudo, o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus e a ele foi dada a ordem para multiplicar-se, dominar e sujeitar a terra. Originalmente o homem era sociável e vivia em paz com a obra criada, sendo-lhe permitido alimentar-se de frutas e legumes (Gn 1:29). A existência da árvore da vida no meio do jardim indicava que podia ter vida longa. (Gn 2:9). É reconhecido que o homem é dotado de uma lei moral que interfere nos seus atos, de forma que ele tem consciência do bem e do mal, compreendendo o dever de obediência a essa lei que o constrange interiormente sempre que a transgride. Ele também é dotado de uma natureza extremamente religiosa que o faz um ser apto a se relacionar com Deus, a amá-lo e servi-lo. No paraíso, Deus lhe falava de viva voz (Gn 2:19, 3:9). O homem era, e é, Inteligente, capaz de raciocinar sobre si mesmo e ainda de pensar em coisas abstratas como alegria, amor, esperança, etc.

 

Unidade do homem

 

O homem se constitui de uma parte material e outra espiritual. Na parte material está o corpo e na espiritual estão a alma e o espírito. Isto não torna o homem um ser tripartido. De fato ele é uma unidade.

 

 

 

Nenhuma ação do homem pode ser atribuída a apenas uma de suas partes, assim como não se pode dizer que o cérebro seja responsável em 100% por sua vida ativa. Cada órgão do ser humano funciona independente de ordem de comando do cérebro (o órgão não espera o cérebro mandar ele funcionar).  Muitas ações praticadas pelo homem são de cunho puramente emocional, sem que se possa dizer com isso que ele tenha agido totalmente sem pensar, ou que o cérebro não tenha participado da ação. De qualquer modo, tudo o que o homem faz, sente ou pensa, não se diz que foi o corpo, ou a alma, ou o espírito, mas o homem.

 

Constituição do homem

 

O corpo do homem foi formado do pó da terra (Gn 2:7) e, ao soprar-lhe o “fôlego da vida”, Deus o fez “alma vivente”. Há muita discussão sobre esse tema. Os que advogam a dicotomia (crença em duas substâncias) valem-se desse texto para afirmar que o homem é apenas alma. Analisando, porém, I Co 15:45, observamos que lá o apóstolo Paulo fala de duas substâncias (além do corpo) dizendo que: “Adão foi feito alma vivente. O último Adão (Cristo), porém, é espírito vivificante”. A tricotomia advoga a crença em três substâncias (aceita pela igreja de Nova Vida).

 

ü      1º - O corpo – Formado de elementos materiais, sendo sustentado por alimentos naturais (I Co 6:13);

 

ü      2º - A alma – É a pessoa do homem (personalidade) que o distingue como indivíduo, sendo único em seu jeito de ser. Por isso o homem é alma. Na alma estão os desejos, a vontade e o intelecto; (ITs 5:23, Hb 4:12)

 

ü      3º - O espírito – É a parte essencial do homem. O espírito é chamado de “fôlego da vida” (sopro) (Gn 2:7). O espírito é o nosso ponto de contato com Deus.

 

A vida do homem sofre influência dessas três substâncias simultaneamente.

 

À imagem e semelhança

 

As palavras imagem e semelhança têm sido interpretadas de muitas formas. Alguns eram da opinião que imagem se referia ao corpo, e semelhança à alma. É difícil falar da imagem de Deus sem pensar em nós mesmos, sem olhar para nós mesmos, e, principalmente, sem pensar em Cristo, que segundo Hebreus 1:3 é “a expressão exata do seu ‘SER’” (ver também Cl 1:15). O Deus que se revela como homem (Jesus) é uma pessoa que sente, chora, fala, vê, etc.

 

 

 

Estes são pontos semelhantes sem dúvida. Entretanto, após o pecado, a imagem e semelhança de Deus no homem precisou ser restaurada, pois o homem passou a agir segundo os seus desígnios carnais.

 

A natureza humana

 

As Escrituras Sagradas ensinam que toda a raça humana descende de um único casal (Gn 1:27,28, 3:20, 9:19). Todos são filhos do mesmo pai e têm a mesma natureza (Rm 5:12). Como Adão pecou e o pecado passou a todo homem, este foi afetado em sua conduta moral, social e fraternal. Nessa natureza pecaminosa passou a maltratar seu semelhante, e, sem constrangimento, a destruir a obra de Deus. Tornou-se idólatra (ou oferece a Deus sacrifícios inaceitáveis Lv 11), escarnecedor (Pv 14:6, Sl 1:11), insensato (Pv 15:20), sem firmeza moral. Teve seu entendimento obscurecido, sendo com isto, levado a emitir opiniões sobre o que não entende. Ainda mais, elevou seu coração sobre seu semelhante adotando uma conduta de justificar seus erros em vez de reconhecê-los. Para restaurar a sua imagem e semelhança no homem, Deus põe o homem em Cristo (Hb 2:15,Jo 15:21,22), e em Cristo crucifica a carne contaminada pelo pecado e ressuscita a “alma vivente” da criação original.

 

O pecado e sua origem

Pecado é toda transgressão ou desobediência à lei de Deus (IJo 3:4). Começa pela cobiça ou desejo que atrai e seduz o homem levando-o a praticar aquilo que desejou (Tg 1:13-15). Portanto o homem peca por pensamentos, palavras e obras. O pecado uma vez consumado gera morte (Gn 2:7). Para tratarmos do pecado e a sua origem é necessário observarmos os dois pontos-chave da história espiritual do homem que são: a tentação e a culpa. Vejamos:

A tentação - Com grande astúcia a serpente apresenta sugestões que ao serem aceitas abrem caminhos a desejos pecaminosos:

 

a)    Procurou a mulher, o vaso mais frágil, pois além dessa circunstância, ela não tinha ouvido diretamente do Senhor a proibição (Gn 2:16,17). Nota-se a astúcia da aproximação. A serpente torceu a palavra de Deus (Gn 3:1), ao semear astutamente dúvidas e suspeitas no coração da mulher, a respeito do que Deus dissera; sobre sua retidão, pois diz claramente que Deus mentiu ao dizer "certamente não morrerás" (Gn 3:4), isto é, o Senhor não pretendia dizer o que disse. Lançou dúvidas também sobre o amor de Deus ao dizer "Deus vos proibiu de comer da árvore, porque tem ciúme de vós, pois não quer que chegueis a serem tão sábios quanto Ele e impedir de serem semelhantes a Ele”.

 

 

b)    Neste pecado Eva deixou-se levar pelas concupiscências da carne, dos olhos e da soberba da vida (IJo 2:16).

 

c)    Assim visto, foi por três atos de cobiça que surgiu o pecado no mundo: Veja o esquema abaixo”:

 

Boa para comer - concupiscência da carne.

Agradável aos olhos - concupiscência dos olhos.

 

Desejável para dar entendimento - soberba da vida (vanglória, orgulho e jactância em relação àquilo que possui).

 

Assim, ocorre então o primeiro pecado: a desobediência (1Jo 2:16).

 

Ser tentado não é pecado. Pecado é cair em tentação!

 

 

A culpa - Desobedecendo, trocaram suas inocências por uma consciência acusadora, por causa do pecado. Nota-se a evidência de uma consciência culpada (Gn 3:7).

 

a)    Olhos abertos e percepção da nudez. A expressão “olhos abertos” é usada para indicar um esclarecimento repentino (Gn 21:19, IIRs 6:17). Os distúrbios emocionais geralmente se refletem nas feições das criaturas.

 

b)    Quando Adão e Eva pecaram foi interrompida a comunhão entre o homem e Deus, pois a carne venceu o espírito. Desde então existe o conflito entre a carne e o espírito do homem, o que tem sido a causa de tantas misérias até aos dias de hoje (Rm 7:14-24, Gl 5:17-26).

 

c)    Agora Adão estava abatido e medroso. Ao ouvirem a voz do Senhor Deus tiveram medo e se esconderam (Gn 3:8). Aquela voz que lhe era tão familiar e amiga, agora causava pânico. Antes da desobediência quantas vezes corria ao encontro do pai e amigo ao ouvir a sua voz! Agora era um fugitivo da presença do pai amoroso e, mesmo temeroso, Adão respondeu (Gn 3:10 ).

 

d)    Adão tenta se inocentar dividindo a culpa entre Deus e a mulher (Gn 3:12). Após pecarem arrastaram sobre si a punição e a maldição.

 

Após o primeiro pecado, o homem tornou-se presa fácil à opressão satânica e à corrupção de sua própria natureza.

 

Em Gênesis 4:7 a palavra é mencionada pela 1ª vez.  A Bíblia chama o pecado de:

 

  • Errar o alvo - como um argueiro, como um viajante ou como quem é pesado na balança e achado em falta.

 

 

  • Iniqüidade ou desordem - O iníquo faz sua própria vontade (Sl 51:5).
  • Desobediência - Em termos bíblicos significa “ouvir mal” ou “ouvir sem atenção” (Rm 5:19)
  • Transgressão - Significa “ir além do limite” (1Jo 3:4)
  • Queda - Significa cair de um padrão de conduta (Ef 2:1-7).
  • Derrota - A derrota é resultante de um espírito abatido que não luta, não oferece resistência (Rm 11:11).
  • Impiedade - Significa “sem adoração” ou “sem reverência” (Rm 1:18).
  • Erro - Descreve pecado cometido por ignorância (Rm 1:27, 2Pe 3:17).

 

  • Dívida - Algo que deve ser pago, que não tem como pagar (Mt 6:12).

 

A queda

 

(Gn 3:1-6) – O homem vivia em harmonia com Deus, e nesse ambiente de harmonia um fato inesperado e trágico ocorreu à criação. ”Mas a serpente...” com estas palavras a Bíblia começa a descrever o acontecimento mais desastroso de toda a história da humanidade: a derrota do homem. O homem atendendo à solicitação da mulher e aos apelos de seu próprio instinto cedeu à tentação. Com isto o homem perdeu alguns privilégios que lhe eram próprios:

 

a)     O de ouvir pessoalmente a voz do Senhor Deus (Gn 3:8-10)

b)     O homem deixou de falar e ter contato pessoal com Deus (Gn 3:10)

c)     Deixou de compreender a Palavra de Deus, naturalmente (I Co 2:14).

 

Conseqüências da Queda

 

As conseqüências do erro de Adão foram muitas e imediatas:

 

  • O homem foi expulso do paraíso onde vivia, e com isso perdeu os privilégios de:

ü         Ouvir a voz de Deus, audivelmente (Gn 3:9).

ü         Falar e ter contato com Deus pessoalmente (Gn 3:8).

ü         Compreender sua palavra naturalmente (Gn 3:10).

 

  • A imagem de Deus no homem a partir daí precisava ser restaurada (Rm 3:23).

 

  • O homem foi condenado a obter seu sustento (antes dado integralmente por Deus) pelo suor de seu rosto.

 

 

  • A terra foi amaldiçoada e passou a produzir cardos e abrolhos (Gn 3:17,18).

 

  • O homem foi condenado à morte (Gn 2:17,  Gn 3:19, Rm 6:23). A morte manifesta-se em toda a plenitude do homem (Rm 5:12).  Sendo o homem uma trindade, a morte é física (Ec 12:7), espiritual (Ef 2:1) e eterna (da alma).

 

  • O pecado se tornou inerente à sua natureza (pecado original) (Rm 5:12,  7:17-20,  Gn 6:5-12)

 

  • A mulher passaria a ter dores no parto e a ter seus desejos voltados para o homem e o homem passaria a ter autoridade sobre ela (Gn 3:16).

 

  • A serpente foi amaldiçoada e perdeu sua beleza e posição. A serpente como animal selvagem passou a rastejar sobre o próprio ventre e a comer o pó da terra, de onde o homem foi tirado. Isso pode indicar sua influência sobre o homem (sua esfera de ação sobre o homem - a carne). A serpente finalmente seria destruída pelo descendente da mulher (Jesus –o filho do homem) (Gn 3:15).

 

 O homem e o pecado

 

Afastado de Deus, o homem passou a ser conduzido pelos seus desejos carnais e pelos pensamentos continuamente maus (Gn 6:5, Rm 1:18-31).

 

O pecado passou a operar no homem, nas mais diversas esferas:

 

  • MORAL - O homem se tornou perverso e torce tudo o que é direito. Trabalha em sentido contrário à retidão.
  • CONDUTA FRATERNAL - O homem mata, maltrata, oprime seus semelhantes, agride a obra de Deus, desrespeitando-o sem o menor escrúpulo (Pv 16:29, Ez 7:23, Gn 6:11).
  • SANTIDADE - Se tornou mentiroso. Procura esconder seu próprio pecado, ou nega a verdade defendendo interesses pessoais (Sl 58:3).
  • SABEDORIA - Seu entendimento foi obscurecido. Não atenta para a importância da vida espiritual (Ef 4:18). Nessa esfera podemos ressaltar alguns tipos mencionados pela Bíblia:

 

ü                 Simples - São os que não se desenvolvem nem na direção do bem, nem do mal. Faltam-lhes firmeza e fundamento moral. Ouvem, mas logo esquecem (Pv 1:4-22, Pv 8:5, Mt 7:26).

ü                 Falta de entendimento - São conduzidos a formular opinião sobre o que não entendem.

ü                 Insensatos - Não se disciplinam. Estão presos à carne (Pv 14:7).

 

ü                 Escarnecedores - Justificam-se através de argumentos racionais. São contra o que é espiritual (desprezam) (Pv 14:6,  Sl 1:1).

 

A Redenção do Homem

 

Imediata ou prefigurada – Constitui-se na morte de um animal inocente cuja pele cobriu a nudez de Adão e Eva, significando que o problema do pecado só seria resolvido através do derramamento de sangue (por um substituto) (Gn 3:21, Hb 9:22b).

 

Prometida - O descendente da mulher destruiria o poder da serpente (Gn 3:15). Jesus Cristo é o salvador que pôs fim à maldição do pecado (Rm 5:17-21,  Rm 8:1-11). Ele anulou o poder do pecado com a sua morte na cruz. Por isso se diz “quem morreu, justificado está do pecado” (Rm 6:7-14).

 

Vencendo o pecado

 

Mesmo que o homem queira viver retamente, sofre a pressão das influências malignas externas e com isso produz-se em seu interior uma luta constante contra o pecado inerente (Rm 7:14-25). A vitória sobre o pecado consiste em que Cristo nos tirou do pecado e não o pecado de nós (IJo 1:10, 3:9). Como primogênito de uma nova raça (Ef 4:24). Cristo se torna o padrão de conduta, e nos aconselha a mudarmos nossos hábitos e a nos vestirmos de sua natureza. Devemos abandonar nossas paixões carnais com a força que Cristo dá, e passarmos a andar no Espírito (Gl 5:16-21, Ef 2:1-3,  Cl 2:13, 20,  3:1-11).

 

O novo Homem

 

É importante que o homem desenvolva uma vida espiritual, pois é a através do espírito que o homem tem contato com Deus (Jo 4:23,24). Ao atingir o espírito do homem, Deus começa a revelar sua boa vontade (Rm 2:9-16, 12:2). As atitudes do novo homem vão mostrar sua comunhão com Deus (Gl 5:22-25,1Jo 1:6,7, 3:9,10). O pecado será cada vez mais inoperante e inofensivo (IJo 5:18). O homem espiritual adquire certa sensibilidade ao pecado de modo que não pode ser mais enganado (Rm 6:14). Assim, quando pecar, primeiro ele admite sua culpa e depois busca o arrependimento e o perdão de Deus (IJo 1:7-10,1Jo 3:6,10).

 

A vida no Espírito

 

Após a conversão do pecador, o Espírito Santo passa a orientar e dirigir sua vida. A natureza do Espírito Santo se manifesta por intermédio do convertido e a isto se chama fruto. É fruto porque cresce e não chega à maturidade instantaneamente (Gl 5:22,23). Qualquer esforço que se faça para obtenção do fruto do Espírito é pura ilusão.

 

Boas intenções ou promessas de “fazer melhor” são inúteis. A produção do fruto é o resultado de uma vida normal, ligada a Cristo. Toda a árvore produz naturalmente frutos bons ou ruins. É preciso estar na videira verdadeira (Jo 15:1-7), para produzir somente frutos bons. O fruto são evidências externas de uma vida interior, conseqüência natural do “andar no Espírito” (Gl 5:16, Lc 3:7-14). Indicam a realidade de uma vida interior sem a qual não é possível produzir bons frutos (Mt 7:15-23). Devemos esperar que as pessoas venham até nós e se alimentem. Não podemos anunciar nossos frutos (Lc 9:51-56,  Mt 21:18-20), O próprio Espírito Santo mostra os frutos e faz as pessoas sentirem seu perfume agradável. Quando os frutos são de fato bons, eles abençoam as pessoas que deles se alimentam.

 

Última atualização em Qui, 23 de Abril de 2009 20:38