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O que é o Evangelho? PDF Imprimir E-mail
Escrito por Pr. Flavio Muniz   
Qui, 30 de Setembro de 2010 10:35

 

 

“Ide por todo mundo e pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; quem porém não crer será condenado” (Mc 16.15-16).

 

 

 

 

Literalmente, evangelho significa "boa mensagem", "boa notícia" ou "boas-novas", derivando da palavra grega ευαγγέλιον, euangelion (eu, bom, -angelion, mensagem). Esta palavra inicialmente significava uma recompensa dada a um mensageiro por entregar as boas-novas e depois veio a designar a própria mensagem (a boa mensagem, a boa notícia). A palavra grega "euangelion" deu também origem ao termo "evangelista" para a língua portuguesa. A palavra ocorre por volta de 108 vezes no Novo Testamento, nenhuma das quais significa algo menos que “redenção consumada” em Cristo.

 

Note que Jesus disse: “Ide, pregai o evangelho e quem crer. Crer em quê? Naturalmente naquilo que ele pregava, isto é crer no evangelho! Veja que Jesus não falou em um evangelho, em qualquer evangelho, mas ele falou no evangelho. Devemos crer exatamente neste evangelho para sermos salvos, mas para crermos neste verdadeiro evangelho, precisamos saber o que ele é e o que ele representa. Vejamos:


 

"Irmãos, venho lembrar-vos o evangelho que vos anunciei, o qual recebestes e no qual ainda perseverais; por ele também sois salvos, se retiverdes a palavra tal como vo-la preguei, a menos que tenhais crido em vão. Antes de tudo, vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras." (1 Co 15:1-4)


 

Nesta passagem Paulo chama atenção, por de maneira tão simples resumir o que é o evangelho, mostrando sua essência e a sua finalidade principal!


 

O evangelho é a boa notícia, a boa nova, a boa mensagem a respeito de Cristo, sua essência está fundamentada na revelação de que Cristo morreu pelos nossos pecados, foi sepultado, e ressuscitou com a finalidade principal de trazer salvação à humanidade. E nós precisamos entender que isto foi preanunciado desde a fundação do mundo quando João nos revela pelo Apocalipse que o "Cordeiro foi morto, desde a fundação do mundo" (Ap 13.8). Observem duas coisas:


 

 

1-A expiação de Cristo é referida como algo determinado por Deus.

2 - O princípio de sacrifício e redenção por parte de Cristo é mais antigo que o mundo.


 

Desde o início da criação, nós lemos como se originou esta necessidade de Cristo ter que morrer pelos nossos pecados. O homem pecou, estabeleceu sua queda, se separou de Deus, foi expulso da sua presença, e tentou de modo frustrante se esconder de Deus, cobrindo sua vergonha e culpa através de folhas de figueira por si só. Diante disso a atitude de Deus (sacrificando um animal e derramando o seu sangue e retirando sua pele) foi antecipar a forma em que o perdão e a redenção iriam se consumar, isto apontava para um sacrifício, uma expiação substitutiva e única que iria prover proteção, cobertura, e salvação. E porque Deus precisou sacrificar um animal? É simples, para prover proteção e salvação ao culpado e apontar para o cordeiro de Deus que iria trazer verdadeira redenção, retirando (removendo) o pecado do mundo (Jo 1.29). A Bíblia diz que sem derramamento de sangue não há remissão de pecados (Hb 9.22), e por isso Jesus precisou ir para Cruz.


 

Veja amados, a essência do evangelho não pode ser outra: “Cristo morreu pelos nossos pecados, foi sepultado e ressuscitou para nos trazer salvação como finalidade” é por isso que devemos proclamar esta boa notícia.


Entendendo a Essência do Evangelho


 

Cristo morreu pelos nossos pecados – Pecado é a transgressão da lei (1Jo 3.4), pecado é separação entre nós e o nosso Deus (Is 59.2), e a bíblia ensina que a penalidade para o pecado é a morte tanto espiritual quanto física (Rm 6.23). E a bíblia ensina mais, ela nos revela que todos pecaram, e distituídos estão da glória de Deus (Rm 3.23), não há um justo sequer, pois todos estão debaixo do pecado disse Paulo em (Rm 3.9,10). E se você quiser ver um retrato da humanidade imersa no pecado, basta olhar para Romanos 1 a partir do versículo 18. Vemos então que o homem contraiu uma dívida com Deus impagável pelo pecado, estando debaixo de maldição e sendo condenado a morte. A pergunta então é: Como salvar o homem da condenação eterna?


 

 

A resposta do próprio Deus foi: através do próprio homem, não um homem qualquer, mas propriamente o FILHO DO HOMEM, o FILHO DE DEUS, o único homem sem pecado. Apenas a morte de alguém sem pecado poderia expiar o pecado. Paulo em (Rm 5.12-21) nos explica exatamente isso. “Ele diz que por um só homem, entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, entrou a morte, e por isso a morte passou a todos os homens porque todos pecaram” (Rm 5.12). Neste mesmo texto ele vai dizer que Adão era figura daquele que havia de vir (Rm 5.14), e aquele que havia de vir, isto é o segundo Adão (Jesus), viria como homem sem pecado para nos conceder da sua graça abundante (Rm 15.15), e aí ele vai nos revelar algo tremendo no versículo 17 Se, pela ofensa de um e por meio de um só, reinou a morte, muito mais os que recebem a abundância da graça e o dom da justiça reinarão em vida por meio de um só (homem), a saber, Jesus Cristo”.


 

Veja queridos, aprenda isso: Em Adão nós morremos, mais em Cristo nós vivemos, nós temos vida! Nós estamos em Adão por nascimento, mas estamos em Cristo pela fé. Adão trouxe ofensa que resultou em condenação e morte, pois foi desobediente. Cristo (2º Adão) trouxe graça que resultou em justificação e vida, pois ele foi obediente até a morte e morte de cruz. Em (1Co 15.21-22;45-47) – Paulo vai trazer mais luz sobre (Rm 5), e vai nos ensinar que:


 

 

1 – A morte veio por um homem, mas a ressurreição veio por um homem também, mas um homem sem pecado.


 

2 – Todos morrem em Adão, mas todos são vivificados em Cristo. Nossa união com Cristo anula eternamente a união pecaminosa com Adão.


 

3 – Adão foi feito alma vivente (criado), Cristo (o 2º Adão) foi gerado de Deus e por Deus, é espírito vivificante, entenda isso: Deus em Cristo, refez aquilo que ele queria como sua criação, gerou um novo homem, um novo ser. É por isso que sem Cristo não há salvação, pois não há novo homem, pois em Adão todos pecaram, todos estão condenados, mais em Cristo todos os que crêem ressurgem para viver em novidade de vida. O último inimigo a ser vencido é a morte, e Jesus venceu a morte, e por ele nós também vencemos a morte.


 

4 – O primeiro homem é carnal, feito do pó da terra, é terreno. O segundo é espiritual, veio do céu.


 

Conclusão: Cristo morreu pelos nossos pecados, tomou o nosso lugar, pagou em nosso lugar a penalidade de nosso pecado (substituição). Ele morreu a nossa morte, para vivermos sua vida.


 

Somente Jesus poderia morrer pelos nossos pecados, pois ele agiu ao mesmo tempo como justo (punindo o pecado nele próprio) e justificador (nos declarando perfeitamente justos aos seus olhos) – (Rm 3.26). Em Cristo a força do pecado é anulada, estamos mortos para o pecado e vivos para Deus, nosso velho homem foi crucificado e não mais somos escravos do pecado, a morte já não é mais uma realidade, pois a GRAÇA DE DEUS EM CRISTO NOS ALCANÇOU. ALELUIA! (Rm 6.1-14).


 

Ele foi sepultado– O profeta Isaías já havia predito sua sepultura (Is 53.9) – “Designaram-lhe a sepultura com os perversos, mas com o rico esteve na sua morte, posto que nunca fez injustiça, nem dolo algum se achou em sua boca”. Cristo morreu uma morte física e real. Esta verdade é importante, pois mostra a realidade humana de Jesus, ele morreu e precisou de ressurreição para viver novamente. Jesus é o Deus encarnado, era Divino e Humano, sem essa doutrina, nossa justificação pela fé seria afetada, o plano de redenção não teria sentido, e a finalidade do evangelho, ou seja, a salvação poderia ser alcançada pelo mérito humano.


 

Ele ressuscitouO próprio Jesus já havia instruído aos seus discípulos sobre sua ressurreição ao terceiro dia (Mt 17.22-23). Paulo nos explica a importância da ressurreição de Cristo para o evangelho e para nossa salvação “E, se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação, e vã, a vossa fé”. (1Co 15.14). A ressurreição é a prova de que Cristo efetivamente pagou o preço por nossos pecados, e que sua morte substitutiva sobre a cruz por nós, satisfez todas as exigências de Deus contra nós. Acredite há suficiência em Cristo, ele é o nosso único suficiente salvador e Senhor. A Bíblia diz que há um só mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem (1Tm 2.5). Pedro afirmou que Deus ressuscitou Jesus (At 3.26; 1Pe 1.21). Paulo declara e afirma a ressurreição de Jesus como sendo o seu evangelho (2Tm 2.8). Paulo ensina nossa identificação na morte e ressurreição de Cristo pela fé, naquele que Deus ressuscitou dentre os mortos pelo seu poder (Cl 2.12). A ressurreição é a prova central de que Deus nos trouxe vida, de que a nossa vitória é garantida, de que a nossa salvação está assegurada, de que a nossa fé está baseada em uma verdade absoluta, de que a nossa pregação não é vã e o nosso evangelho não é fajuto. O evangelho afirma categoricamente, a ressurreição traz salvação:


 

Se, com a tua boca, confessares Jesus como Senhor e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo”. (Rm 10.9)


 

A FINALIDADE PRINCIPAL DO EVANGELHO: A SALVAÇÃO!


Como o evangelho salva? (1Co 15.1-4)


Paulo descreve a anatomia deste processo aqui em (1Co 15). Primeiro ele é anunciado, depois recebido, após isso ele é internalizado pela fé até ficar bem arraigado, de modo que perseveremos nele. A pessoa se apega a ele, fazendo do evangelho o fundamento de sua vida. Dessa forma, ao continuar confiando nele, ela vai sendo salva, caso mantenha a condição de se apegar à mensagem que foi anunciada e de não mudar de rumo abraçando outras propostas supostamente interessantes chamadas de “evangelho”. Veja que Paulo foi enfático: “por ele também sois salvos”, ou seja, só existe um evangelho verdadeiro e não outro pelo qual possamos ser salvos.


Porque somente o evangelho verdadeiro salva?


1 – Porque somente ele mostra a necessidade que o pecador tem de Cristo


Somente a pregação genuína do evangelho convence o homem do seu estado de perdição, da sua necessidade do evangelho para ser justificado diante de Deus. Paulo no início de Romanos demonstra a profunda necessidade que o homem tem do evangelho. Ele apresenta a culpa do mundo pagão e idólatra (Rm 1.18-32), depois mostra que os judeus são igualmente culpados (Rm 2.1-3.8), e já no capítulo 3 a partir do versículo 9, ele conclui que todos são culpados, estando debaixo da ira de Deus.


 

2 – Porque somente ele supre a necessidade que o pecador tem de Cristo


O pecador possui uma necessidade de absolvição, de perdão, de expiação da culpa. A morte de Jesus na cruz possibilita uma justiça não baseada em ausência de culpabilidade, mas no perdão (Rm 4.6-8). É uma justiça conquistada não pela apresentação de uma ficha exemplar de cumpridor da lei, mas "pela fé" em Cristo. Existem dois meios de justiça:


 

a)A justiça mediante a redenção - "sendo justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus" (Rm 3.24).

 

b)A justiça mediante a fé – “justiça de Deus mediante a fé em Cristo Jesus” (Rm 3.22).


 

Jesus verteu seu sangue para remissão de pecados (Mt 26.28). Mas o homem deve arrepender-se e ser batizado "para remissão de pecados" (At 2.38), mostrando o que está embutido na fé. Deus tem sua parte de providenciar o perdão dos pecados, o homem tem o seu papel de receber esse perdão. O evangelho mostra ao pecador que sua proposta não é barata, diante de tantas soluções, no entanto somente ele pode preencher a necessidade espiritual do inconverso.


3 – Porque somente ele produz a fé que faz conhecer o filho e a fé que faz crer que somente o Filho salva


Costuma-se dizer que de um modo geral existem dois tipos de fé – A fé da cabeça, e a fé do coração. A fé da cabeça - É aquela que produz um conhecimento técnico e teórico a respeito do Filho de Deus e da salvação, na verdade ela somente produz uma mera constatação e nada mais. Já a fé do coração – É a fé que relaciona, que aplica a fé da cabeça a si mesmo. Ela personaliza, interioriza, o conhecimento sobre a fé. É impossível se chegar a fé do coração sem o mínimo de entendimento teórico sobre a salvação, ou seja, a fé da cabeça. Porém é impossível obter vida eterna sem se relacionar pessoalmente com Cristo, a fé do coração. É o relacionamento pessoal com a obra de Cristo que nos salva. O reconhecimento de que o pecado da humanidade, inclusive os meus, foram cancelados na cruz do calvário, me proporciona salvação e por isso me dá vida eterna. Somente o evangelho consegue ao mesmo tempo nos fazer conhecer a Deus e se relacionar com Ele. Somente o evangelho nos mostra claramente o plano da salvação, e nos faz acreditar que este é o único plano no qual devemos estar inseridos pela fé.


 

4 – Porque ele é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê


 

(Rm 1:14-17) - O dilema do homem é inegável: o pecado levantou uma barreira intransponível impedindo o acesso até Deus (Rm 3:23; 6:23). Entretanto Deus está ajudando, oferecendo resposta para os apelos desesperados dos homens (Rm 7:24; Atos 17:27).


 

O livro de Romanos claramente nos mostra a necessidade de aceitar e obedecer ao evangelho para se livrar do pecado e restaurar a comunhão com Deus. Paulo que de perseguidor da igreja passou a ser pregador do evangelho, mostra no início de Romanos, sua firme convicção sobre a importância e necessidade de obedecermos ao evangelho.


 

(Rm 1.14) – “Eu sou devedor” – Ele afirma sua dívida para com os não judeus, os cultos, mais civilizados (gentios), e os demais povos, incultos (bárbaros). Ele fala desta forma, pois entendia que o evangelho era a única chance deles para a salvação.


(Rm 1.15) – “Estou pronto” - O entendimento de Paulo sobre o valor e o poder do evangelho era motivo suficiente para levá-lo a Roma para pregar o evangelho.


 

(Rm 1.16) – “Não me envergonho do evangelho” – Teria sido tentador envergonhar-se do evangelho, porque o evangelho é loucura para os sábios. Porque era loucura: Onde um só homem pode morrer por todos? Onde as culpas de todos podem ser apagadas pelo sacrifício de um só. Só pelo poder de Deus, mas quem o aceita? A mensagem simples do evangelho pode ter sido ironizada pelos arrogantes, mas Paulo não se envergonhou dela, reconhecendo o poder da palavra na pregação de Cristo crucificado, poder de Deus e sabedoria de Deus (1 Co 1:18-29).


 

O evangelho é realmente o poder de Deus para nossa salvação! (Rm 1:16).


PORQUE O EVANGELHO É O PODER DE DEUS PARA A NOSSA SALVAÇÃO? PORQUE NELE A JUSTIÇA DE DEUS SE REVELA!


“Visto que a justiça de Deus se revela no evangelho de fé em fé, como está escrito: O justo viverá por fé”. (Rm 1.17)


O poder de Deus revelado no evangelho exige uma resposta: A FÉ! Fé como resposta ao amor de Deus demonstrado na cruz!


üA justiça: o estado legal de um homem declarado livre de culpa; uma declaração de inocência.

üDe Deus: este estado resulta da ação justificadora de Deus (Rm 3:21-22; 10:3; Fp 3:9)

üSe revela, revelada: esta justiça foi manifestada ao homem no evangelho.

üDe fé: baseada na fé.

üEm fé: de modo a produzir fé.


 

A justiça de Deus é a iniciativa que Deus tomou na cruz, onde Jesus o Justo morreu por nós, os injustos, para nos justificar, concedendo-nos uma justiça que não nos pertence, mas que vem do próprio Deus. É o perdão de uma dívida realmente contraída. É o esquecimento de uma pena por um crime efetivamente cometido. O poder de Deus justifica e salva todo aquele que crê.


Em que consiste esta justiça de Deus? Deus é o seu autor. É uma justiça que satisfaz a todos os requisitos da justiça divina; o que Paulo está nos dizendo? É que apenas no evangelho encontramos a realidade da justificação. Irmãos é aqui que encontramos a glória do evangelho de Deus: Ele é o poder de Deus operando para a salvação, pois a justiça de Deus ultrapassa o nosso pecado e a nossa ruína, então, é nosso dever ouvir o evangelho, atendê-lo em suas exigências, pois, é Deus quem se revela a nós por meio dele.


 

“O evangelho é o poder de Deus para a salvação porque nele se revela a justiça de Deus. Salvação é a forma que a justiça de Deus assume” (John Ziesler).


"A justiça de Deus é uma dádiva que nos é ofertada mediante a fé" (John Stott).


O homem que é justo por fé viverá pela mesma fé!


 

Esta justiça é o cerne do evangelho!



Pr. Flavio Muniz - Diretor da Ebtm

 

Última atualização em Qua, 03 de Novembro de 2010 17:59